Esta é a versão mais potente da “carrinha” Mini Clubman, com 231 cv e tração às quatro rodas.  Mas será que cumpre na estrada, o que promete no papel?...

Carrinha potente é um conceito que já não é novo e cuja autoria poderá ser atribuída à Audi. Na Mini, que tem uma das carrinhas mais compactas, meter 231 cv na Clubman, pareceu uma boa ideia, acrescentando o sistema de quatro rodas motrizes usado noutros modelos desta plataforma (a mesma do BMW X1) e uma caixa automática de oito, também a mesma Aisin usada pelos BMW de motor transversal.

No papel o resultado suscita interesse, dadas as prestações, mas os números nunca são tudo, apesar de os 1565 kg anunciados até jogarem contra.

A suspensão com amortecimento variável é, obviamente, firme, mas não é desconfortável e processa bem o mau piso, mesmo com pneus 225/40 R18. A direção é relativamente pesada, o que acontece em vários modelos do grupo, mas é bastante direta e precisa, contribuindo para uma boa ligação das mãos com a estrada, que nem precisam de largar o excelente volante, para fazer passagens de caixa. As patilhas da caixa automática são quase sempre obedientes, com passagens rápidas e suaves; no modo Sport até são acompanhadas pelas tradicionais detonações no escape. O motor tem uma boa resposta a baixos regimes, o que faz da circulação em cidade uma tarefa fácil e que dá gosto. Mas quando se procura uma estrada de montanha e se pede tudo ao quatro cilindros turbo, acaba por desiludir um pouco, por dois motivos. Porque o carro é pesado e porque a tração às quatro rodas faz sempre parecer que a potência é menor. Curvando depressa, com o controlo de estabilidade em “off”, este JCW mostra uma boa resistência à subviragem, nas entradas em curva mais rápidas. A traseira até se deixa fazer rodar para concluir a curva, se o condutor souber jogar com a massa, desacelerando na altura certa. Depois é uma questão de acelerar a fundo com as rodas direitas, deixando a tração ALL4 fazer o resto. Os pneus Michelin Pilot Super Sport dão aqui uma grande ajuda, mas conduzindo sem malabarismos, acaba por ser a subviragem a aparecer quando se reacelera ainda em curva, sem que a transmissão passe potência para as rodas traseiras e compensem a saída de frente. Os travões resistem bem, mas o pedal exige força.

Claro que, com este tipo de condução, o depósito de 48 litros de gasolina “vai-se” num instante. Mas isso está longe de ser um defeito deste JCW, é um feitio de todos os motores turbo mais desportivos.

 

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