Numa prova que opõe tecnologias de locomoção tão díspares o Fabia parece partir em desvantagem face aos mais potentes Yaris Hybrid e Jazz, mas o importante não é como se começa, mas sim como se acaba...

A Toyota assume sem pejo o título de marca rainha dos híbridos e nem sequer é uma afirmação oriunda do “marketing”, é devidamente suportada por números de vendas: 75% dos híbridos vendidos na Europa são Toyota. Mesmo num mercado tão Diesel-dependente como o nosso, 14% das vendas da marca japonesa em Portugal são asseguradas por híbridos, sendo que uma boa fatia cabe, exatamente, ao Yaris Hybrid. Não é assim de estranhar que, quando a Toyota pensou em impulsionar as vendas do Yaris criando uma série especial, a estratégia tenha assente no híbrido. Como é habitual, o Yaris Square Collection resulta do recurso a alguns elementos decorativos específicos e de um reforço do equipamento de série. No exterior, as mudanças que mais saltam à vista são o tejadilho e os retrovisores negros, as jantes de 16”, os vidros escurecidos e o spoiler traseiro. Já no habitáculo destacam-se o ar condicionado automático, o cruise control e o sistema Toyota Touch2 com bluetooth e câmara traseira.

Sem uma versão híbrida na gama, o novo Jazz responde com um motor 1.3 i-VTEC que tem nos baixos consumos um dos seus principais cavalos de batalha.

Nesta verdadeira cimeira de “não alinhados” faltava um representante dos modernos motores mais “pequenos” que recorrem a um turbo para potenciar o rendimento. O 1.2 TSI já tem provas dadas e o Skoda Fabia assumiu-se, desde logo, um vencedor nato nos comparativos em que se viu envolvido, pelo que a combinação dos dois deverá ser motivo de preocupação para os concorrentes.   Curiosamente, apesar de ser o único dos presentes com um quatro cilindros turbocomprimido, o Fabia 1.2 TSI é o menos potente do trio. Com 90 cv, o Skoda fica distante dos 100 cv (potência combinada) do Yaris ou dos 102 cv do Jazz, mas não se deixe enganar pela análise simplista dos números. Apesar de menos potente, o Fabia é o mais generoso (e logo por uma margem confortável) no binário. Mais, os 160 Nm declarados são atingidos a um regime particularmente baixo (1400 rpm), o que o torna especialmente “elástico” e célere nas recuperações. Na prática, o Fabia 1.2 TSI não só dilui por completo o handicap da potência, como até aparenta ser o mais despachado dos três. Perceção que é apoiada pelos números obtidos nas nossas medições.

Obviamente que, auxiliado pelo motor elétrico e contando com uma caixa “automática”, o Yaris é mais rápido nas nossas recuperações, mas, acredite, no dia a dia, o Skoda é mais polivalente, sentindo-se como peixe na água em ambiente urbano, mas não se sentindo demasiado deslocado numa deslocação em estrada aberta. O Yaris, por exemplo, é o companheiro perfeito na cidade, mas chega a ser “desconcertante” numa via mais rápida. Não só porque os consumos disparam, como o bem-estar a bordo é prejudicado pelo ruído do motor em aceleração, quando se torna evidente o habitual desfasamento das caixas do tipo CVT entre a carga de acelerador, a subida de regime e o real aumento de velocidade.

Então e o Jazz? Os argumentos do Honda não se centram tanto na dinâmica como o Skoda ou na economia de utilização como Toyota, mas antes numa excecional utilização do espaço disponível. Não há nenhum outro utilitário que ofereça tanto espaço para pessoas e bagagens como o Jazz, especialmente tendo em conta que o comprimento deste não chega sequer aos quatro metros. Com 354 litros de capacidade na mala, o Jazz é quase tão generoso como o novo Astra. E no espaço em comprimento atrás, as conclusões são ainda mais incríveis já que o Honda é tão espaçoso como... um BMW Série 5. E tudo devidamente complementado por uma qualidade geral acima da média (esta versão Elegance inclui alguma aplicações em pele no tablier) e uma panóplia de elementos de segurança e de auxilio ao condutor que faria, também ela, inveja a muitos carros do segmento acima.

Obviamente que isto se reflete no preço e nem os 1000€ que a Honda está a fazer de desconto atenuam o enorme desfasamento face ao Skoda, a pechincha do trio.

O motor do Honda, apesar de bastante frugal, promete mais no papel do que na prática. Os 102 cv declarados são pouco enérgicos em baixos regimes e só após as 3400 rpm é que começam a dar sinais de vitalidade, mas, por esta altura, já a maioria dos utilizadores passou de caixa. Para “ajudar”, as duas últimas relações são especialmente longas pelo que o recurso ao comando manual é inevitável para manter o andamento. Felizmente, utilizar a caixa do Jazz é um verdadeiro prazer, tanto pelo tato mecânico que oferece como pelo curso curto e rápido da alavanca. A caixa do Fabia também é exemplar em suavidade e precisão, mas não é tão rápida como a da Honda e conta com apenas cinco relações, o que aumenta o regime em autoestrada e prejudica a insonorização e os consumos. O Skoda é, aliás, o mais guloso dos três, tanto em estrada como em cidade, fenómeno a que não é alheio o recurso ao turbo, mas também a pneus maiores e mais desportivos (215/45 R16”). A mais valia desta opção é que o Fabia é o melhor comportado dos três e rubrica excelentes valores nas travagens. Já o Yaris é penalizado pelo oposto, pois apesar de esta versão também ter jantes de 16” os pneus são mais estreitos (195/50) e de baixo atrito ao rolamento, o que prejudica a obtenção de melhores valores nas travagens. Até porque, como nos concorrentes, o Yaris conta com discos nas quatro rodas.

Mérito dos pneus, mas, acima de tudo do sistema híbrido, o Yaris consegue consumos realmente baixos em cidade e quanto mais compacto for o trânsito, menos o híbrido gasta. O problema é que esta tecnologia tem custos e nem a boa vontade da marca, nem a dotação de equipamento, conseguem evitar que o Yaris Hybrid seja o menos atrativo na relação preço/equipamento. É verdade que a imagem da Toyota e a fiabilidade a ela associada deverão fazer “milagres” no valor de retoma, mas dificilmente compensará a diferença para o Skoda, que pode ter uma imagem menos vincada, mas que tem revisões mais espaçadas e, acima de tudo, custa menos 4500€. E contra factos não há (grandes) argumentos.

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