Chegou uma geração inteiramente nova da carrinha Skoda Superb. Pretende ter “uma roda” no limiar do segmento D quase premium e surge neste comparativo na versão mais apetecível: 1.6 TDI de 120 cv.  Para lhe fazer frente, nada melhor que juntar duas carrinhas quase tão grandes, e também movidas por “corações” pequenos, a Ford Mondeo SW com motor 1.5 TDCi e a Opel Insignia ST com o novo motor 1.6 CDTi.

No final de 2015, a Skoda desvendou-nos uma geração inteiramente nova da família Superb que não esconde o desejo de entrar na fação premium do segmento, tal como a sua “irmã” de plataforma VW Passat. Em Portugal prevê-se que cerca de 80% de todos os novos Superb vendidos sejam break, até porque os portugueses adoram ir de fim de semana, levar muita bagagem para o piquenique, o cão, motivo pelo qual se interrogam, qual a carrinha a escolher? A Opel Insignia ST é a preferida do vizinho e a enorme Mondeo SW até está em promoção. No Autohoje conhecemos bem as três propostas e podemos ajudá-lo a pensar no assunto passo-a-passo.

Começando pela bagageira, a que tem a maior mala é justamente a Skoda. Oferece 660 litros, locais para arrumações e compartimento sob o piso da mala. As outras duas estão muito abaixo deste valor. A carrinha da Ford chega aos 525 litros, enquanto a Opel se fica pelos 500 litros. O modelo alemão e o checo propõem de série o portão da bagageira elétrico, uma vantagem muito competitiva tendo em conta a facilidade na abertura da mala no caso das mãos estarem ocupadas com sacos.

Passando ao habitáculo, se é espaço que procura, a mais generosa volta a ser a carrinha Skoda, com uma vantagem de fazer inveja a qualquer limousine digna de um presidente. Não que Ford e Opel sejam acanhadas, não o são, mas a Superb assume a diferença como um dos seus grandes argumentos. Reúne também bons espaços para arrumos, mas nisso nem se destaca por excelência já que também a Ford e a Opel colocam ao dispor do utilizador diversos locais, distinguindo-se sim, o modelo checo por pequenos detalhes de versatilidade, como a tomada de 220 volts na consola traseira ou os dois chapéus-de-chuva integrados nas portas dianteiras.

No índice de qualidade, não é preciso um olhar cirúrgico para ver e sentir que a Opel “veste” pele (opcional no pacote Cosmo Plus) e Skoda e Ford usam pele e alcantara. Porém é preciso uma lupa para verificar o aprumo da montagem, e neste exame a Skoda volta a revelar-se mais sólida, com menos folgas entre painéis e mais detalhes na união dos tecidos. Segue-se a Insignia e, por fim, a Mondeo, onde se nota um maior descuido nas junções de alguns painéis, como no forro dos pilares A, por exemplo.

Na lista de equipamento de série, estão muito equilibradas e as diferenças resumem-se a tamanhos de jantes ou a um ou outro detalhe de equipamento. Na segurança também se equiparam, trazem leitura da faixa de rodagem, leitura de sinais e aviso de colisão frontal. A Skoda e a Ford acrescentam o aviso de ângulo morto, enquanto a Opel propõe o sistema OnStar que solicita assistência de forma automática.

Dinâmica

Na missão de rolar pela cidade, todas se desembaraçam bem. Há, no entanto, que separá-las avaliando todos os comandos ao dispor (direção, caixa e pedais) e dizer que a Ford é a mais suave e fácil de conduzir, ainda que tenha maior inércia no arranque, pelo menos até vencer as 2000 rpm. A Superb também é boa, sendo tipicamente … “VW”, ou seja, harmoniosa. A Opel é, ainda assim, um pouco mais brusca, com comandos mais pesados, todavia nota-se bem o esforço da marca em ter um motor menos ruidoso que o “antigo” 2.0 CDTi de 140 cv, bloco que este 1.6 substitui. No pisar, a Skoda é a mais confortável, sempre suave e refinada, até com jantes de 18”. A Opel, tendo jantes da mesma dimensão, consegue também uma combinação muito aveludada e robusta, mesmo sem o sistema Flexride, que permite uma direção mais direta, uma resposta ao acelerador mais imediata e o controlo contínuo de amortecimento (CDC). Quanto à Mondeo, na versão Econetic, tem um compromisso “estranho”, é pouco confortável a baixa velocidade, considerando estes pneus de baixo atrito com altura de 60 e jantes de 16”, e acaba por adornar mais o que o desejado a velocidades mais elevadas. Contudo, nos três casos nota-se a preocupação com o bem-estar dos ocupantes a bordo, mesmo com um ou outro solavanco de um eixo traseiro mais seco em piso degradado, principalmente da Insignia. Quanto à dinâmica numa estrada de curva e contracurva, a Skoda acaba por ser “honesta”. Tem uma direção precisa e direta e controla muito bem os movimentos da carroçaria, apesar do tamanho. A Insignia continua a evidenciar uma competência dinâmica muito acima da média. Tem um controlo de estabilidade permissivo e revela boa aderência e direcionalidade. Esta Mondeo, com o pacote Econetic não é o melhor exemplo de um Ford dinâmico na sua essência, pelo facto de ser rija em modo passeio e mais branda a andar depressa, mas continua a ter um chassis muito competente e rigoroso. Se fosse a versão “normal”, sem suspensão rebaixada e pneus de perfil mais baixo, não teria qualquer dificuldade em impor-se neste particular

No que diz respeito a força anímica, que é o que interessa evidenciar, os três “pequenos” motores, parecem fazer milagres. A Ford tem um bloco 1.5 de 120 cv e pesa mais de 1,5 toneladas, o que se reflete nas acelerações, as piores do trio. A Skoda, com 120 cv e motor 1.6 TDI fica com a segunda posição neste requisito, e a Opel, a mais potente das três, consegue fazer números de acelerações muito bons, abaixo dos 11 segundos ou seja, basicamente ao nível de um motor 2 litros com potência idêntica. Nas recuperações, o pódio é semelhante. A Ford é lenta a recuperar, por culpa de uma sexta relação de caixa longuíssima, mas a Superb não fica atrás, com uma caixa igualmente longa, sendo a Opel a mais despachada a sair de regimes mais baixos.

Economia

Perante motores pequenos, agradece-se um apetite de gasóleo contido e é exatamente o que acontece. A que melhor controla a gula é a Skoda. A Ford é comedida, mas em autoestrada gasta um pouco mais que as outras. A Opel também não gasta muito, ainda que em cidade seja a menos económica, mas se considerarmos só a média de consumo final, é idêntica à Ford. Nos três casos, e nem “puxando” a sério pelos pequenos blocos, que até correspondem com relativa facilidade aos nossos intentos (desde que as carrinhas não viajem em plena carga), os consumos sobem drasticamente.

Falta falar no preço e em alguns detalhes de “economia”. Em termos de preço base, a Opel é a mais cara, e acrescentando alguns opcionais tidos em conta neste comparativo, o valor final vai avolumando até chegar perto dos 40 mil euros. O modelo alemão beneficia ainda de cinco anos de garantia ou 100 mil km pacote onde se inclui a assistência em viagem e a viatura de substituição

A Ford acaba por ser a mais barata porque tem um desconto direto de 2050 euros, o que permite cobrir a maioria dos opcionais considerados, mantendo um preço idêntico ao valor base. A Skoda, sem descontos, posiciona-se entre as duas, custando pouco mais de 37 mil euros com uma lista de equipamento muito idêntica

Em suma, este comparativo é o melhor exemplo de que as grandes carrinhas não se medem pelo tamanho do motor e que o resultado dinâmico nas três acaba por ser muito positivo. As diferenças também surgem em detalhes relevantes como o espaço, a qualidade e o preço. A Superb é a grande vencedora deste embate, por ser a mais racional. Tem um bom motor, muito espaço, equipamento e um nível de conforto capaz de convencer os mais céticos da casa de Mladá Boléslav.

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