O motor do 370Z aquece-me. É um touro devorador de auto-estrada.

Lembro-me da primeira vez que fui a Fátima, moído pelo remorso, para cumprir literal e finalmente uma promessa feita na adolescência. Ao chegar, noite dentro, apenas meia dúzia de velas acesas sem se ver vivalma. De repente um mupi iluminado com um mapa do santuário e, algures na imensidão da escala, a bola preta com a indicação “você está aqui”. Um pequeno episódio dum tempo pré-GPS. 

Pergunta o leitor, e então? A que propósito vem este relambório, homessa? Obrigado pela pergunta. Porque este escriba perde-se mais do que um Camarinha na Mansão Playboy, um dirigente desportivo no Red Light District, a Elsa Raposo numa praia de nudistas. Logo agradece que lhe digam onde está. Para mim, o GPS foi a melhor invenção desde a roda, a bola, e o mini-éclair de chocolate branco, considerados ex-aequo. Uma máquina divina que me permite conduzir por todo o mundo sem jamais ter estado nos seus 4 cantos? Magia! Ó glória, ó júbilo, ó louvor!

Sim, venho duma ilha açoriana com 62 kms de diâmetro e ainda hoje sou indivíduo para me perder na minha terra-natal. O que vale é que basta apontar para o mar e depois seguir esquerda ou direita. Mais tarde ou mais cedo, voltamos ao ponto de origem (vantagens das ilhas, sobretudo as que têm forma de ovo). Perco-me por distracção, por total ausência de sentido de orientação, por tudo e por nada. Mas desde que o GPS surgiu, uh-la-lááá… e estendo a interjeição, já agora, ao Nissan 370Z entregue desta vez ao meu cuidado pelo sempre benfazejo e generoso Autohoje. Por sinal, o veículo com o pior sistema de navegação que já vi, mas um clássico que só pode ser definido em duas palavrinhas: Força e Bruta. Um daqueles carros que nos vêm de imediato à mente quando pensamos num Salão Automóvel em todo o seu esplendor: belo, brilhante, ameaçador, numa plataforma giratória e com duas beldades em vestido ao seu redor. Parêntesis: acho curioso que tanto fulano vá ao Salão Automóvel só p’ra ver os ‘aviões’… Ah, segundo as estatísticas recentes, há cada vez mais homens a levar as esposas aos ditos Salões. Claro… se calhar pensam que podem dar para a troca. Resumindo e concluindo: deixei de me perder e a minha vida mudou. Mas, por um touro devorador de auto-estrada como o 370Z, perdia-me de bom grado outra vez. Sempre tinha uma excelente desculpa para não devolver o carro.

 

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